quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Seria a burrice uma ciência?


Rui Barbosa dizia que "há tantos burros mandando em homens de inteligência que, às vezes, fico pensando se a burrice é uma ciência". Pessoas medíocres têm um indisfarçável medo da inteligência, e sabem ocupar como ninguém os espaços vazios deixados por pessoas talentosas, porém displicentes, que muitas vezes não revelam o apetite de poder. Vemos isso a todo momento - na política de pizzas e panetones, na escola onde o colega mais forte resolve tudo no tapa, no trabalho em que o chefe faz questão de lembrar a todo tempo que é ele o detentor do poder, e até nos botecos (há até bêbados assim...). Os burros conhecem bem suas limitações, sabem como é dificílimo realizar tarefas que os mais bem dotados fazem com os pés nas costas e, por isso, admiram mas também repudiam os mais inteligentes. Daí, chegamos num paradoxo angustiante. Onde já se viu inteligência virar desvantagem? Erasmo de Roterdan, em "Elogio da loucura", caminha neste raciocínio: é necessário se fingir de burro se quiser vencer na vida. Como dizia dona Neusa, minha mãe: "Ahh, menina... Está se fazendo de besta para viver, é?" Nessa hora eu plagiava Nelson Rodrigues, "Me faço de idiota para ter o céu e a terra!"

Texto: Simone Moura

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