quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O dia do início dos costumes sem fim


Há vinte anos, em 17 de dezembro de 1989, o eleitor brasileiro saía de uma encruzilhada para entrar noutra, sem perceber com nitidez o que estava acontecendo. Hoje, o retrovisor mostra aos mais esclarecidos - ou, no mínimo, aos mais atentos à vida pregressa da política nacional - que aquele dia não representou a vitória de ninguém, mas apenas o fim de um período negro da história brasileira. Nos livramos do abismo adentrando um pântano. Ressurgia uma democracia, embora administradas por gatunos e gaiatos, gente inescrupulosa, ativistas da transgressão. E não adianta se perguntar por que só os gatunos chegam ao poder. Ora! Eles fazem o poder. Gente de bem não se mete nesse jogo. E se Lula ganhasse? Muitos suspeitam que aquele governo teria terminado do mesmo jeito: vago. Circunstancialmente, Lula é melhor hoje. Venceu numa hora mais apropriada. Mas mais apropriada para ele, lógico! Pena não ter utilizado (nem usar) sua história, carisma e aceitação popular, aqui e lá fora, para mostrar a essa gente dos palácios, plenários e licitações que é possível governar, do primeiro ao último dia, com as mãos limpas. Ele demonstrou justamente o contrário. Ratificou a calhordice e o pouco caso dos donos do voto com a boa fé dos eleitores. E ao falar em boa fé, obviamente me refiro aos eleitores honestos, não aos aprendizes de Lula e Collor. Entre estes, a fé é rala.

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