quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Super 2010

A todos, desejo...

amor...


...saúde...


...paz...


...alegria...


... e amizades.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Eu lavo, você guarda


O ruim de morar sozinho é que a vez de lavar a louça sempre é a sua. Não chega ser frustrante, não. Digamos..., desanimador. A preguiça não tem vez quando ela se depara com os afazeres domésticos numa casa em que só há uma escova de dentes. O problema não é ter sempre que fazer a mesma coisa, mas sempre sozinho. Lavar a louça, fazer compras no supermercado, limpar a casa... Não! Não estou fazendo loas à solidão, até porque o bom de morar só é que nem sempre se está sozinho. Mas tenho cada vez mais desconfiança de que precisamos ter algo com quem compartilhar, nem que seja o último Trident. Ou mesmo a gordura das panelas. Não há realização doméstica sem o tradicional “...mas depois é a sua vez”. Deus salve a máquina de lavar louças.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O príncipe do encantamento


Há 32 anos, eu, você e o mundo perdíamos uma das maiores relíquias que a produção cultural de todos os tempos nos permitiu. Charles Chaplin nasceu na Inglaterra, e caiu no mundo fazendo mímica. Com pouco mais de 20 anos já era um talento reconhecido, criou sua própria companhia de cinema e passou a escrever os próprios roteiros, dirigir e atuar. A capacidade que ele tinha de sensibilizar e divertir não deixou margens a comparações. Além dos desavisados - esses passageiros do mundo inculto -, poucos deixaram de testemunhá-las nos últimos cem anos. Como não faço parte deste grupo isolado, aproveito para resgatar uma ocasião. Eu ainda trabalhava em banco quando numa daquelas reuniões de motivação arrastadas, enfadonhas e desinteressantes, sempre nas manhãs de sábado, o monitor engatilhou no vídeo cassete “Tempos modernos”. Em poucos minutos o meu abdômen roia de dor tal a intensidade das gargalhadas. Eu e todos ao redor despertamos do mau humor de súbito. O encantamento explodiu naquela sala. Foi a primeira vez que presenciei o tédio se transmutar em prazer num átimo.
Ele nos deixou numa noite de Natal, um presente para Deus concedido por ele mesmo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal



Feliz Natal e paz nos corações.

Seria a burrice uma ciência?


Rui Barbosa dizia que "há tantos burros mandando em homens de inteligência que, às vezes, fico pensando se a burrice é uma ciência". Pessoas medíocres têm um indisfarçável medo da inteligência, e sabem ocupar como ninguém os espaços vazios deixados por pessoas talentosas, porém displicentes, que muitas vezes não revelam o apetite de poder. Vemos isso a todo momento - na política de pizzas e panetones, na escola onde o colega mais forte resolve tudo no tapa, no trabalho em que o chefe faz questão de lembrar a todo tempo que é ele o detentor do poder, e até nos botecos (há até bêbados assim...). Os burros conhecem bem suas limitações, sabem como é dificílimo realizar tarefas que os mais bem dotados fazem com os pés nas costas e, por isso, admiram mas também repudiam os mais inteligentes. Daí, chegamos num paradoxo angustiante. Onde já se viu inteligência virar desvantagem? Erasmo de Roterdan, em "Elogio da loucura", caminha neste raciocínio: é necessário se fingir de burro se quiser vencer na vida. Como dizia dona Neusa, minha mãe: "Ahh, menina... Está se fazendo de besta para viver, é?" Nessa hora eu plagiava Nelson Rodrigues, "Me faço de idiota para ter o céu e a terra!"

Texto: Simone Moura

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Uma xícara sem açúcar


Você sabe o nome do seu vizinho? Tenho um amigo que mora no mesmo endereço do Lago Sul há décadas e não consegue identificar quem esteja além dos muros da casa dele. Aliás, não conhece ninguém em toda a rua. Faço parte dos que acham o brasiliense um esnobe, um sujeito não muito dado a cumprimentos. Principalmente o que vive no Plano Piloto ou nos lagos. Livro a cara só daqueles que passaram a infância nas super quadras. Provavelmente fizeram muitas amizades que perduram. No meu caso, um nômade, me separei dos amigos do bloco K da 202 Norte muito cedo. Depois da maioridade, pulei de quadra em quadra, tive bom relacionamento com muitos deles. Inclusive, sempre chamei pelo nome. Troquei pneu de carro, emprestei algo, participei de churrasco... Cumpro meu papel social e faço questão da boa convivência. Mas no edifício lá do Sudoeste, chego a me divertir com a reação dos outros convivas, que não dão bom dia de livre e espontânea vontade. Se assustam quando nasce um diálogo. Como hoje é o Dia do Vizinho, vou tentar fazer o registro mais tarde. Na verdade estou chateado com a rotatividade do meu prédio, porque há algum tempo ninguém bate na minha porta para pedir açúcar...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Minha cidade molhada


Não tem período mais agradável na minha vida do que esses meses que se aproximam. É dezembro a locomotiva que transporta o meu conforto e minhas boas intenções. E não me sinto melhor apenas porque estamos próximos do Natal ou do início de um novo ano, época em que as pessoas aderem coletiva e espontaneamente a formas mais substanciais e cordiais de convivência. Reajo diferente também por causa deste clima chuvoso que alcança o cerrado quando chega o verão. O ar é mais puro, as noites amenas e a cidade, em razão das viagens de férias, menos disputada. Pra quem curte um bom sono, dá gosto até em acordar. Brasília se torna um espaço positivamente provocativo. Dilata-se o horizonte. Bem diferente daquela situação rarefeita de entre julho e setembro, quando me sinto uma torrada dentro de um forno tal a secura e a aridez. Os próximos quatro meses serão diferentes nesta cidade dos escândalos inesgotáveis. Provavelmente haverá mais pizzas e panetones, mas também umidade e calor humano.

Luz, energia e felicidade

Alegria, alegria. O verão começou.









segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O nascimento da audiência


Curiosamente, o título da primeira telenovela brasileira foi “Sua vida me pertence”. Mais que um nome, revelou-se uma profecia. Daquele dia em diante, progressivamente, boa parte dos lares passou ao domínio da televisão. E 58 anos depois, corações e mentes de dezenas de milhões de brasileiros voltam-se para a exibição de oito, nove, às vezes dez novelas diárias! Os títulos até que variam, mas as histórias, atores e personagens se repetem. O ópio do povão, do povinho, da classe média, da aristocracia e de quem mais que prefira ver e não fazer nada a ler ou exercitar o cérebro. O cardápio agora está mais variado: jogos de futebol, programas de auditório, reality shows... Enfim, a gênese e a receita da alienação. Mas sobre “Sua vida...”, foi transmitida pela TV Tupi duas vezes por semana, teve 25 capítulos com a duração de 15 minutos cada. Se hoje, uma minissérie. Escrita e dirigida por Walter Forster, ficou marcada pelo primeiro beijo da TV brasileira em rede. Apenas um selinho, no último capítulo. No elenco, atores futuramente reconhecidos como Dionísio Azevedo e Lima Duarte. Contou a história de uma jovem (Vida Alves) que tenta conquistar o amor de um homem admirado por todos (Walter Forster).

sábado, 19 de dezembro de 2009

Faça um filho, escreva um livro, plante uma árvore...


Os ditados, sempre eles, ditando a sabedoria. Um deles enumera três tarefas que o ser humano deve cumprir para ter uma vida plena, e garantir o salvo conduto para as escadarias do céu. Como ainda não executei nenhuma das regras, temo que corro o risco de sair desta para melhor sem ter feito nada de útil no planeta. Perpetuar-se preparando outra pessoa, aparentemente, parece ser a mais fácil das sugestões, visto que o instinto animal e a libido são inatos, não exigem bula nem receita – e muito menos o aprendizado da gramática para ler prescrições. A cópula é mais fácil que o plantio, e mais divertida também. Semear, esperar a muda florescer e acomodá-la na terra leva certo tempo e carece de paciência. Como uma aplicação financeira a longo prazo. Já o livro... Sei não. Exige conhecimento, dedicação e disciplina. Será que meu Bloco de anotações serve como similar? Seguinte, não vou me desesperar se não contribuir com a continuidade da espécie. Até porque não confio muito nela. Se não acrescento, pelo menos não mato, não apago nem destruo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Código de Defesa do Eleitor


O que a lei garante hoje aos consumidores poderia ser estendido aos eleitores. Se o produto da prateleira não agradou, não correspondeu à descrição da embalagem, não funcionou, perdeu as características ou não cumpriu as promessas do anúncio, troca-se o produto ou devolva-se o dinheiro. Por que não uma lei que restabeleça ao eleitor a fiança conferida ao candidato que não honrou a palavra? O voto tem validade de quatro anos. O programa e os escrúpulos do candidato deveriam ter o mesmo prazo. Aumentou o imposto que garantiu não corrigir, responderá a processo. Se não investiu mais em educação, não passa de ano. Se continuar faltando remédio nos hospitais, vai para a UTI. Fez comício no bairro prometendo asfaltar, mas continua poeira ou lama na porta dos moradores, volta lá e explica ao invés de mandar alguém lorotar desculpas. Foi flagrado recebendo dinheiro ilegal quando antes jurou prezar pela ética, processo eleitoral nele...
Oh, meu Deus! O que estou escrevendo aqui? Desculpem-me por fazê-los perder tempo com este texto. Não sei porque me comporto como se estivesse na Suiça.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O dia do início dos costumes sem fim


Há vinte anos, em 17 de dezembro de 1989, o eleitor brasileiro saía de uma encruzilhada para entrar noutra, sem perceber com nitidez o que estava acontecendo. Hoje, o retrovisor mostra aos mais esclarecidos - ou, no mínimo, aos mais atentos à vida pregressa da política nacional - que aquele dia não representou a vitória de ninguém, mas apenas o fim de um período negro da história brasileira. Nos livramos do abismo adentrando um pântano. Ressurgia uma democracia, embora administradas por gatunos e gaiatos, gente inescrupulosa, ativistas da transgressão. E não adianta se perguntar por que só os gatunos chegam ao poder. Ora! Eles fazem o poder. Gente de bem não se mete nesse jogo. E se Lula ganhasse? Muitos suspeitam que aquele governo teria terminado do mesmo jeito: vago. Circunstancialmente, Lula é melhor hoje. Venceu numa hora mais apropriada. Mas mais apropriada para ele, lógico! Pena não ter utilizado (nem usar) sua história, carisma e aceitação popular, aqui e lá fora, para mostrar a essa gente dos palácios, plenários e licitações que é possível governar, do primeiro ao último dia, com as mãos limpas. Ele demonstrou justamente o contrário. Ratificou a calhordice e o pouco caso dos donos do voto com a boa fé dos eleitores. E ao falar em boa fé, obviamente me refiro aos eleitores honestos, não aos aprendizes de Lula e Collor. Entre estes, a fé é rala.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cinema sem retoque


Lembro bem o dia em que a tv exibiu pela primeira vez "E o vento levou...". Lá em casa, pelo menos, foi um acontecimento. Minha mãe e minha irmã ocuparam a sala e fizeram do aparelho de televisão um objeto sagrado. Comigo, ao contrário, o filme nunca me comoveu, apesar de reconhecer que se trata de um ícone da produção cinematográfica, que acaba de completar 70 anos do lançamento, em 15 de dezembro de 1939. Um dos primeiros a contar com campanhas publicitárias, dois anos para escolher a protagonista, três horas de duração, mais de 50 atores e 2.400 extras, cenários grandiosos, 13 indicações ao Oscar e 11 estatuetas. Uma arrecadação de US$ 400 milhões da época, ou US$ 1,45 bilhão com correção e juros. Ou seja, arrecadou mais que Star wars, A noviça rebelde ou E.T., o extraterrestre.

A fé

Eu quero...


...e eu acredito...


...e eu posso...


...e eu terei.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Além do horizonte


Maria Nazaré quer seguir viagem, mas não percebe que o pneu do carro dela está furado. Ela não atina porque não consegue sair do lugar, não faz ideia de que a solução é simples. Basta trocar o que não lhe satisfaz mais. Pensa em muitas coisas para resolver o problema, só não compreende a conclusão elementar. Que não chegará a nenhum lugar enquanto não enfrentar a mera e corriqueira verdade. Pobre Maria Nazaré, mal sabe ela que basta uma simples atitude para voltar a percorrer a estrada. E, aí sim, chegar a algum lugar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Papai Noel chegou


Estou feliz! Papai Noel chegou para mim antes do que esperava. Na verdade, nem esperava. Ganho mais presentes e demonstrações de apreço ao longo do ano do que em datas comemorativas, como Natal e aniversário. Família e amigos sempre por perto já são uma dádiva, uma forma de satisfação do tempo e ao longo dele. Mas as surpresas são sempre bem vindas, e fui pego por ela. Lembrei agora que há três décadas, antes mesmo das espinhas e dos pentelhos chegarem, acordei com um presente ao pé da cama. Não lembro do presente, só da emoção. Desta vez, foi ao pé do monitor. Uma miniatura do Mach 5. Valeu Wendell!!!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Em todo deserto há uma mina d`água


De qual flor você cuida? Tem noção de que é responsável por aquilo que cativa? Como somos estranhos nós, os adultos. Ambiciosos e egoístas, não olhamos ao redor como deveríamos. Não percebemos que somos admirados, que provocamos encantos, que nos tornamos importantes, que não enxergamos quem nos observa. Que temos quem ou o que cuidar para continuarmos amados, amando e amantes. A objetividade está apontada para a nossa cabeça. Não olhamos com o coração, não compreendemos que o essencial é invisível aos olhos. Quem sabe consigamos decifrar o Pequeno Príncipe que nos habita. Aprender com ele que o nosso mais valioso tesouro é o ensinamento circunstancial que nos orienta, a lição de generosidade, e não um patrimônio imutável ou intransferível. Ou mesmo uma sincera declaração de amor. Se não conhecemos nossos sentimentos, como transmiti-lo?

Cinema na veia


O cigarro e a fumaça funcionam como metáfora em É proibido fumar, de Anna Muylaert. O vício esconde a alma e aprisiona as capacidades inatas. Fugimos da rua, da família, dos amigos, dos compromissos, das realizações, pedimos licença à vida para nos matar um pouco a cada dia. Palavra de um fumante. Porém, o recado é maior. Vai dos sentimentos mesquinhos aos mais nobres: a inveja, o ciúmes, a saudade, a absolvição silenciosa. Expõe a solidão e louva o amor. Quero ser Max.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Noel Rosa


Afirma o crítico e pesquisador Ricardo Cravo Albin que se Noel Rosa, que hoje completaria 99 anos, não foi o melhor compositor da Época de Ouro da música popular brasileira (1930/45) foi o mais importante. O Poeta da Vila foi considerado o precursor do moderno samba urbano. Nasceu em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, e aprendeu a ler e escrever com a própria mãe. Boêmio, galanteador e fumante compulsivo, não resistiu a tuberculose, doença que na primeira metade do século passado livrou do pior poucos dos que a contraíram. Entre as músicas mais conhecidas estão Com que roupa?, Conversa de botequim, Feitio de oração, Fita amarela, Palpite infeliz e Último desejo. Morreu aos 26 anos, em 4 de maio de 1937, e deixou 259 músicas.

Dia do arquiteto




A grande Muralha da China começou a ser construída em 221 a.C., e manteve aproximadamente um milhão de chineses carregando e empilhando tijolos por 1.900 anos. O iluminado megalomaníaco idealizador do projeto foi o imperador Qin Shihuang, que unificou sete reinos num único império e precisava protegê-lo dos inimigos invasores do norte, entre eles os mongóis. São 8.850 kilômetros de extensão, com altura média de 7,5m e largura variando entre 4,5m e 9m. Quem encerrou a construção e reforma da maior estrutura militar do mundo foi outro imperador, Kangxi, em 1677. Um milhão de chineses morreram levantando a muralha, que faz parte das 7 maravilhas do planeta.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Unir para se envolver. Separar para desenvolver


Foi num dos livros do terapeuta Roberto Freire que li a frase acima. Ninguém casa ou se aproxima decididamente de outra pessoa pensando na separação. Como não se separa planejando o retorno. Sempre ouço que um casamento acabou porque não deu certo. Então, só as uniões indissolúveis dão certo? Os filhos queridos são resultado de algo que não era para acontecer? A convivência de aparência, sustentada na conveniência financeira, essa sim é merecedora de admiração, né? Prezo mais os ex-casados que educam os filhos em endereços distintos do que o casal sem passo. Da diferença, o complemento. Do conflito, a compreensão. Do desacerto, o aprendizado.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

De primeira


Como eu já disse, catapora não dá duas vezes...