domingo, 29 de novembro de 2009

Cinema na veia


Filmes que tratam de triângulos amorosos normalmente apresentam o homem como o vértice preponderante e motivador das ações. Em Amantes, de James Gray, a fragilidade recai justamente sobre o macho, portador de uma doença crônica e dependente financeiramente dos pais. A maturidade feminina abalando e confundindo a percepção masculina. Nós, pobres homens cegos, procurando o que nos observa.

sábado, 28 de novembro de 2009

Sinais trocados


Na gramática do futebol, há um termo específico para a má-fé ou incompetência do juiz filho da p..ta. Chama-se “inversão da falta”, que vem a ser o seguinte: o jogador que leva o ponta-pé acaba punido pela infração e ainda pode receber o cartão amarelo. O perna-de-pau que realmente bateu, passa despercebido. No trânsito de algumas cidades brasileiras há uma situação semelhante. Eventualmente, ouço motoristas reclamarem dos pardais, os radares eletrônicos. Dizem que “...eles estão escondidos entre os galhos das árvores, é a indústria da multa!!”. Rídiculo, porque, em regra, quem respeita o limite de velocidade não será multado. O raciocínio é respaldado pela legislação. Os Detrans colocaram ao longo das vias placas alertando àqueles que desrespeitam o limite de velocidade que mais adiante há um radar eletrônico, e que se eles não tirarem o pé vão acabar recebendo uma multa. Ou seja, quem transgride leva a melhor. Os motoristas que não obedecem à lei são avisados que o perigo está mais adiante e que eles podem ser pegos. Esvaziou-se o flagrante. Aí, bandido, cuidado que logo ali tem um policial, viu!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Filhos passarinhos


Deixei a mãe muito cedo, na idade do segundo grau escolar. Os três filhos dela preferiram assim. E dona Alda lá ficou. Lá está, aguardando telefonemas e visitas anuais em menores quantidades que o número de dedos na mão esquerda do Lula. Disse-me uma amiga que filhos nascem “para o mundo”. Se preferem a vida em outro endereço, cidade ou pais, fazer o quê? Não falou por mal nem por bem. Apenas refletiu, a minha amiga. Mas vá dizer isso para uma mãe! Das lembranças que não merecem retorno, mas que me acompanharão até o último dia, tem o olhar de minha mãe em direção à janela do ônibus ou ao corredor da sala de embarque na hora da partida. Mais quanto tempo será até a volta? A casa e o coração partem ao meio. E nós, os filhos, precisaremos irremediavelmente freqüentar a maternidade, nem que por uma única vez, para compreender aquele olhar habituado a despedidas: quem os cuidará por mim? Demora mas eu volto, dona Alda, para receber o abraço dos mesmos olhos.

Voltemos então ao início


Histórias se repetem e o raio cai, sim, duas vezes no mesmo lugar. A força da natureza, lá do céu, deve ficar entre nuvens esperando, pacientemente, os seus efeitos reconstituintes aqui no chão, aguardando que a árvore ressuscite. Que cresçam os galhos e atraiam, novamente, o poder infinito do criador. Pobre árvore. Pobre também os corações que não rejuvenescem, e que insistem em vacilar e dar luz à imortal tolice humana. Quanto tempo ainda resta para que a consciência subtraia a insensatez que consome a prudência do ser? A insistência no erro, que se faz presente a cada dia, à frente do espelho ou repousado no travesseiro, não abate apenas a continuidade da criação, do amor. Impossibilita a felicidade escancarada aqui na frente de nossos olhos, posta à beira do lago, na imensidão da floresta, entre os dedos do filho ou no olhar da mulher amada. Daí, resta sorrir. E esperar que a alegria perdoe não ao fraco, mas ao forte que admira a chuva.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A primeira ceia


Estamos a um mês do Natal, a celebração mais aguardada por todo o planeta depois da Copa do Mundo de futebol, das Olimpíadas e dos shows da Madonna. Crianças recebem brinquedos, amigos e familiares se confraternizam, e o comércio vende um montão. No Natal pós crise econômica, provavelmente alguns PIBs serão salvos ou, pelo menos, o desastre será menor. Ah! Os religiosos lembram Jesus Cristo, o filho eterno que morreu por todos nós e que só participou da Última Ceia. Eu, por aqui, já recebi uma árvore de Natal por e-mail. Gostei muito. Este foi o ano menos feliz desde 1999. Juro que desta vez vou abraçar mais, tomar iniciativas e não me reter ao ouvir Feliz Natal. Quem sabe, consigo compensar o pouco amor. E se me convidarem, irei à ceia.

O anjo nosso de cada dia

Fique com Deus. Ele, sim, é forte, sabe ajudar e não nos abandona.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

La cena è servita *


Com o fim da greve de fome do italiano Cesare Battisti também chega ao fim a pesquisa postada aqui à esquerda, há três dias. Mais da metade dos votantes (quatro, para ser transparente com vocês) achou que Lula nada deveria fazer: nem extraditar nem conceder o refúgio ao preso político, apenas torcer para que ele continuasse com o protesto. Assim, suponho, o desfecho seria menos arrastado. Enquanto isso, a Itália aguarda uma decisão que, pelo visto, aqui no Brasil ninguém quer tomar.
*O jantar está servido.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cinema na veia


Para quem gosta de cinema mesmo, de histórias bem contadas e envolventes, que fogem do roteiro previsível. De cenas bem feitas, atores preparados, e trilha sonora impecável, segue a dica Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino.

Ira nos trópicos


A vinda do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, me fez lembrar de Jair Bolsonaro. Quase sempre longe dos holofotes, não pode ver um comunista ou guerrilheiro que logo brada ao mundo a ira dos inconformados. O sumiço eventual dele não me alegra, pois sei que anda por aí. Para quem não conhece a figura, é deputado federal eleito e reeleito com votos dos militares fluminenses, o típico extremista intransigente. A verve de Jair tem semelhanças à de Mahmoud: não respeitam nem consideram os direitos e liberdades de quem os contradiz. Só lhes importam o senso de justiça implacável e impiedoso. Numa hora dessas e ele some! Tinha tudo para ser um anfitrião à altura.

domingo, 22 de novembro de 2009

Que lindo!!!


Esta imagem antecede o primeiro dos três gritos de gol da torcida do Botafogo no estádio Engenhão, no Rio de Janeiro. A vitória foi contra o líder do campeonato brasileiro, São Paulo. O gol foi de Jobson, o camisa nove. Ao goleiro adversário, Rogério Ceni, de preto e sem reação, restou, como se diz na gíria futebolística, tirar a bola com os olhos. Pobre Rogério, com as mãos foi impossível.
Botafogo 3X2 São Paulo.

foto: Wilton Junior, Agência Estado.

Beleza espontânea


Sou grisalho, graças a Deus. Quero dizer, “ainda” sou. E gosto da aparência. Os fios do avô eram tão brancos que cintilavam o cinza-roxo. Já o pai tem no teto uma boa mecha de algodão. Assim devo ficar, espero. Velho, mas com forro. Há quem me pergunte se faço luzes. Me divirto bastante, tanto com a provocação quanto com a confusão. Um desses dias, na farmácia, a balconista me trouxe o shampoo para cabelos brancos. Eu sorri na hora. Não havia deixado claro que procurava algo para cabelos lisos. Chegar pelo menos aos sessenta sem artifícios tem muito valor. Esconder-se do tempo, dos sinais da vida, é desfeita à própria natureza. A peruca, por exemplo, escancara certa (ou mesmo total) insatisfação com a transformação do corpo, sem falar que um careca com peruca fica mais careca ainda, né! Ela, a peruca, expõe a calvície, ao invés de camuflá-la. Percebe-se o telhado nu exatamente por não estar nu. É como a telha de amianto na oca. Não cabe nem realiza. Do botox nem se fala. Este é traíra mesmo!!! Totalmente sem escrúpulos, no melhor estilo operação tapa-buracos do governo Lula. Ninguém acredita no serviço. Nem quem recebeu por ele. Viva as rugas! Peruca e botox nunca se confundirão com elegância e charme, atributos da beleza espontânea.
Valeu pelas madeixas, meu bom Deus.

Eu tô aqui. Não tô mais.


Vaga-lumes têm a notável característica de emitir luz. São verdadeiros pisca-piscas voadores. O fenômeno é conhecido como bioluminescência e também pode ser observado por muitos outros organismos, na maioria marinhos. Essa "lanterna" é um dispositivo sexual utilizado por vaga-lumes de ambos os sexos. O macho emite sua luz avisando que está se aproximando, e a fêmea para avisar onde está. Para fazer isso, os vaga-lumes possuem células especiais em seu abdômen que produzem luz. Pois, bem. A notícia termina aqui. A fonte foi o UOL. Tenho duas observações. A primeira diz respeito à minha infância, lá na fazenda do meu falecido avô Onofre, onde vimos pela primeira vez os vaga-lumes. O segundo comentário é maldoso que só. Até nos bucólicos e inofensivos vaga-lumes tem que haver uma sacagem por trás...

sábado, 21 de novembro de 2009

Aos que secam...


Catapora não dá duas vezes.

O pior dos mundos


Vasco da Gama campeão da Segunda divisão
Flamengo campeão do Brasileirão
Fluminense campeão da Sulamericana
Botafogo rebaixado

Humanizando o sistema.


Conversas e encontros saudáveis sempre acontecem em ambientes festivos. Uma boa festa também remove montanhas, e faz do inusitado uma piada. Obviamente, não há garantias de que a cerveja esteja gelada, de que bocas se encontrarão, de que a música produzirá compassos e de que não cairemos na blitz do Detran.
Mas estejamos certos de que ao nos misturarmos suavizamos o sistema.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bem vindos todos nós.


Pois, é. Depois de dez anos, cheguei. Se tivesse ouvido minha irmã, Rosana, estaria comemorando minha primeira década no mundo virtual. Mas como eu e muitos outros não praticamos o hábito da audição, restou encontrá-los com certo atraso. Mas os encontrei. Estou feliz.
Eu falo mais do que ouço. Um grande erro. A escuta é silenciosa, disciplinada, atenta e sábia. E sofre concorrência desleal da palavra gratuita, uma exibicionista implacável, dominadora, inimiga da reflexão. Quem sabe, agora, praticando a escrita, reforce a leitura, e racionalize a palavra.
Sejamos todos bem vindos.