
Não tem período mais agradável na minha vida do que esses meses que se aproximam. É dezembro a locomotiva que transporta o meu conforto e minhas boas intenções. E não me sinto melhor apenas porque estamos próximos do Natal ou do início de um novo ano, época em que as pessoas aderem coletiva e espontaneamente a formas mais substanciais e cordiais de convivência. Reajo diferente também por causa deste clima chuvoso que alcança o cerrado quando chega o verão. O ar é mais puro, as noites amenas e a cidade, em razão das viagens de férias, menos disputada. Pra quem curte um bom sono, dá gosto até em acordar. Brasília se torna um espaço positivamente provocativo. Dilata-se o horizonte. Bem diferente daquela situação rarefeita de entre julho e setembro, quando me sinto uma torrada dentro de um forno tal a secura e a aridez. Os próximos quatro meses serão diferentes nesta cidade dos escândalos inesgotáveis. Provavelmente haverá mais pizzas e panetones, mas também umidade e calor humano.

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