
Há 32 anos, eu, você e o mundo perdíamos uma das maiores relíquias que a produção cultural de todos os tempos nos permitiu. Charles Chaplin nasceu na Inglaterra, e caiu no mundo fazendo mímica. Com pouco mais de 20 anos já era um talento reconhecido, criou sua própria companhia de cinema e passou a escrever os próprios roteiros, dirigir e atuar. A capacidade que ele tinha de sensibilizar e divertir não deixou margens a comparações. Além dos desavisados - esses passageiros do mundo inculto -, poucos deixaram de testemunhá-las nos últimos cem anos. Como não faço parte deste grupo isolado, aproveito para resgatar uma ocasião. Eu ainda trabalhava em banco quando numa daquelas reuniões de motivação arrastadas, enfadonhas e desinteressantes, sempre nas manhãs de sábado, o monitor engatilhou no vídeo cassete “Tempos modernos”. Em poucos minutos o meu abdômen roia de dor tal a intensidade das gargalhadas. Eu e todos ao redor despertamos do mau humor de súbito. O encantamento explodiu naquela sala. Foi a primeira vez que presenciei o tédio se transmutar em prazer num átimo.
Ele nos deixou numa noite de Natal, um presente para Deus concedido por ele mesmo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário