terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Quem vê unha também não vê coração


Ainda era bem moleque quando ouvi pela primeira vez uma frase aterrorizante para mim, àquela época: “quem rói unha é vigarista”. Fiquei alarmado e pensando se seria, eu, alguém com desvio de conduta apenas por não lidar com o nervosismo. Cometeria alguma bobagem maior por conta disso? Será que são as bactérias e sujeiras impregnadas na ponta dos dedos a ameaçar meu caráter? Mas fui dormir tranqüilo, e continuo a repousar a cabeça nos travesseiros sem dor na consciência. Meu mal é o mau humor, e nada mais grave. Meu tio Aldo, que de tão querido foi requisitado pelo andar de cima precocemente, nem unha tinha mais. As pontas dos dedos desapareceram. Diz a ciência que o hábito é compulsivo, se manifestando no estresse, na ansiedade, no nervosismo e no tédio. Penso que vigarista que se preza não descuida da imagem. Tem cara de santo, roupa bem escolhida, sapatos limpos, perfume agradável e conversa mansa. A alma é que corrói.

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