sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Da omissão à cumplicidade


Ao ser questionado sobre a falta de atitude dos moradores da capital diante do escândalo da multiplicação da propina, e perplexo com a desfaçatez dos protagonistas da bandalheira, o jornalista Alexandre Garcia (colega por quem não cultivo lá muita simpatia) foi muito feliz ao dizer que perante tanta sacanagem, o "brasiliense está no shopping fazendo compras". Excetuando os que demonstram o mínimo que pessoas de bem e portadoras do benefício da indignação vem fazendo, como os estudantes e o advogado Evilásio Viana Santos (autor da ação popular que motivou o afastamento de um gatuno da presidência da Câmara Legislativa), por exemplo, não resta dúvida que o morador da capital da República está como aquele deputado gaúcho, "se lixando". O parlamentar se lixa para a opinião pública. E o eleitor se lixa para o dinheiro público, que é um patrimônio dele, do cidadão. Não adianta! Se a corrupção não atingir diretamente o bolso do contribuinte, ele não vai fazer absolutamente nada para combatê-la. Uma prova disso é o que está acontecendo aqui em Brasília. Nunca se viu uma quadrilha tão desleixada com a sofisticação que um assalto de grades proporções exige, e ao mesmo tempo, ao ser flagrada, se mostrar totalmente descompromissada com o decoro de quem se julga inocente! Os políticos eleitos aqui no DF conseguiram ultrapassar o limite do fundo do poço. E estão levando a população da cidade junto. Como há poucos com disposição para tomar satisfação olho no olho e dedo na cara - pois é importante lembrar que a partilha foi filmada -, resta concluir que diante de indiscutível rapinagem as testemunhas estão pecando não pela omissão, mas pela cumplicidade.

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