
A frase “o importante é competir” deve ter sido pronunciada por alguém acostumado a derrotas. Eu não me conformo com o segundo lugar, nem sei lidar com o adiamento dos meus objetivos. Até porque, se habito este mundo é porque fui o melhor entre milhões de espermatozóides. Aliás, você que me lê também não passou por isso? E não vejo nessa minha vã filosofia uma atitude menor. Pelo contrário, acho que não saber perder pode ser, sim, uma virtude. Tudo bem, vá lá, não desistir dos sonhos faz parte da arte de viver, mas até mesmo o “espírito competitivo” tem limites. Para mim o importante é ganhar, sim! Se fosse um atleta teria dificuldades. Não sei se conseguiria cumprimentar o adversário triunfante ou explicar a falta de êxito para os jornalistas. Mandaria todos à merda e tomaria um porre. Ou me esconderia numa escadaria qualquer como fiz em 1982, quando pela primeira vez no torneio de futebol de salão do Sagrado Coração de Maria, colégio aqui de Brasília, a 6ª série perdeu para o time da 5ª série. Fui apresentado à posição inferior de maneira humilhante. E para piorar, me acostumei, na marra, a ficar fora da fotografia dos campeões. Sou Botafogo... Mas não vou mudar de time, e muito menos emoldurar a chance perdida.

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