
Antes de a adolescência chegar, eu já tinha meus heróis. Dois deles, de carne e osso, perdi muito cedo. A mulher que me embalou pelos ouvidos entrou na minha vida antes de eu completar uma década. Minha educação musical já estava em formação, recebi a orientação involuntária do pai em viagens longas, de Brasília – e numa Brasília VW- para Campo Grande (MS) e de lá para cá. Em meio à nata de interpretes da MPB, a sonoridade que mais me despertava era a de Elis Regina, principalmente em Romaria. Ainda hoje me comovo com Águas de março, ao lado de Tom Jobim, ou com Só tinha de ser com você. Parece sempre que as estou ouvindo pela primeira vez. Encantamento que, juro, naquela idade, não sabia explicar a razão. Apenas sentia. Mas só fui entender a importância dela quando me peguei chorando pela ida, em 19 de janeiro de 1982. No caso do meu outro herói lascado pelo vício, as lágrimas se impuseram. A diferença é que no caso dele eu sabia direitinho o por quê. Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, foi, e ainda é, indecifrável. Nasceu para alegrar e encantar. Morreu, em 20 de janeiro de 1983, e até sua partida fez do saudosismo entre boleiros algo incomum. Há Garrincha e os outros. Impossível as comparações porque ele não jogava futebol, brincava com a bola e adversários. Não fosse a ingenuidade, a pureza, a inocência e a falta de ambição, teria sido maior que Pelé. De certo ponto de vista, até o foi. De maneira mais nobre, na grandeza ímpar que não se mede nas conquistas de glórias e de títulos. Mas nas conquistas de corações, mentes e almas.

Música e futebol. Isso marcou demais a nossa adolescência, era uma diversão, uma paixão. Tivemos sorte em encontrar nas rádios um pouco dessas músicas que aprimoraram nosso gosto musical.
ResponderExcluirHj sou eu quem proporciono a formação musical dos meus filhos. Eles conhecem Elis.