
Quando era criança, sentia inveja dos colegas da escola que apareciam com um braço ou perna engessados. Eles atraíam a atenção de muitos, incluindo os professores. Ofereciam a casca branca a assinaturas e rabiscos humorados. Pareciam pop-stars assediados por fãs. Não cheguei a provocar-me um acidente, mas confesso que a ideia me rodeou. Me interessava o assédio, não a fama. Só fui realizar meu “sonho” da fratura colegial aos 25 anos. Foi frustrante. Morava sozinho, no segundo andar de um prédio sem elevador, e não fiz uma nova amizade sequer por conta da minha banal desventura. As tatuagens também repercutem no currículo do cidadão ou cidadã. Dependendo do porte e suporte atlético, ele ou ela tatuados não deixam de ser um simpático out-door.

Comecei 2010 com duas delas: os olhos de Hórus e uma coruja solar. Os primeiros foram desenhados no ventre, e significam proteção e saúde. Têm origem no Egito Antigo, quando o deus Hórus derrotou em combate o rival Seth, que antes lhe arrancara a visão esquerda. Já a coruja, segundo dizem, representa a sabedoria. E o sol, energia. Bem, não sei qual será a reação da ave diante de um corpo de poucos conhecimentos. Mas mesmo que voe, me sobrará a luz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário