
Deixei a mãe muito cedo, na idade do segundo grau escolar. Os três filhos dela preferiram assim. E dona Alda lá ficou. Lá está, aguardando telefonemas e visitas anuais em menores quantidades que o número de dedos na mão esquerda do Lula. Disse-me uma amiga que filhos nascem “para o mundo”. Se preferem a vida em outro endereço, cidade ou pais, fazer o quê? Não falou por mal nem por bem. Apenas refletiu, a minha amiga. Mas vá dizer isso para uma mãe! Das lembranças que não merecem retorno, mas que me acompanharão até o último dia, tem o olhar de minha mãe em direção à janela do ônibus ou ao corredor da sala de embarque na hora da partida. Mais quanto tempo será até a volta? A casa e o coração partem ao meio. E nós, os filhos, precisaremos irremediavelmente freqüentar a maternidade, nem que por uma única vez, para compreender aquele olhar habituado a despedidas: quem os cuidará por mim? Demora mas eu volto, dona Alda, para receber o abraço dos mesmos olhos.

Lindo... e o remorso ó.
ResponderExcluirOlá.
ResponderExcluirVocê escreve muito bem.
Já estou te seguindo.
Um abraço.
Maria Lucia