
Sou grisalho, graças a Deus. Quero dizer, “ainda” sou. E gosto da aparência. Os fios do avô eram tão brancos que cintilavam o cinza-roxo. Já o pai tem no teto uma boa mecha de algodão. Assim devo ficar, espero. Velho, mas com forro. Há quem me pergunte se faço luzes. Me divirto bastante, tanto com a provocação quanto com a confusão. Um desses dias, na farmácia, a balconista me trouxe o shampoo para cabelos brancos. Eu sorri na hora. Não havia deixado claro que procurava algo para cabelos lisos. Chegar pelo menos aos sessenta sem artifícios tem muito valor. Esconder-se do tempo, dos sinais da vida, é desfeita à própria natureza. A peruca, por exemplo, escancara certa (ou mesmo total) insatisfação com a transformação do corpo, sem falar que um careca com peruca fica mais careca ainda, né! Ela, a peruca, expõe a calvície, ao invés de camuflá-la. Percebe-se o telhado nu exatamente por não estar nu. É como a telha de amianto na oca. Não cabe nem realiza. Do botox nem se fala. Este é traíra mesmo!!! Totalmente sem escrúpulos, no melhor estilo operação tapa-buracos do governo Lula. Ninguém acredita no serviço. Nem quem recebeu por ele. Viva as rugas! Peruca e botox nunca se confundirão com elegância e charme, atributos da beleza espontânea.
Valeu pelas madeixas, meu bom Deus.

aqui vai o depoimento de quem admira, e muito, os fios grisalhos. Talvez por ter sido criada pelo avô, um legítimo e elegante grisalho, minhas lembranças ganham luz frente aos fios brancos. Acho que eles transmitem (além da minha boa lembrança familiar), a experiência, a vida ...
ResponderExcluirE realmente, qd conheci o Marcelo, fui uma das pessoas que não acreditava que os fios prateados não eram de laboratório.
PS: adorei a foto do cachorrinho!
Daiane