domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sem perplexidade não há reputação


O Jonas Moraes, outro grande amigo, gosta de dizer que "falta ao brasileiro uma gota do sangue argentino". A revolta dele nasce na passividade do seu povo, neste saco sem fundo de desaforos que levamos para casa. A crítica ao conformismo brazuca também é elogio às inesgotáveis formas de reação que nossos "hermanos" protagonizam quando o pavio da tolerância queima por completo. São três as paternidades de "mensalões", que alcançam os principais destroços políticos do país; um de esquerda, um de centro e outro de direita - triste não fosse trágico. Creio que em outras nações, independentemente de condições econômica ou geográfica, bastaria apenas um escândalo, em toda sua dimensão, para que pessoas e instituições encontrassem e reconduzissem a moralidade ao seu eixo de origem. Ao ver a foto acima, com bravos e solitários corpos a salvo da covardia dos brasilienses, caio na real. A passeata de protesto não reuniu 500 almas! Concluímos que somos uma sociedade enrustida e complacente. Fico pensando o que mais será necessário acontecer para que, enfim, nos insurjamos. Penso em dois movimentos existentes, hoje, na capital do país: o Fora, Arruda! e o Tô nem aí, Arruda! Será preciso que o governador, o Paulo Otávio, a Eurídes, o Prudente ou o Brunelli nos subtraiam em pessoa para reagirmos? Os escândalos não nos privam apenas do dinheiro público. Aos poucos, eles vão encerrando nossa perplexidade e discernimento. Essa tendência que estamos adquirindo em admitir a transgressão nos faz cúmplices e acaba com nossa reputação.

*foto de Antônio Cruz, da Agência Brasil

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